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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

As Quatro Estações

Outono

                    Já era fim de tarde e eu ainda varria aquelas malditas folhas secas que possuíam a minha calçada e toda a rua.
                    _ Malditas folhas secas, todas as tardes a mesma coisa. O que elas acham que são para virem aqui na minha porta todos os dias e se acomodarem?!
                    Mas aquelas folhas não tinham ouvidos e nem culpa, por isso todos os dias com ajuda incontestável do vento, elas vinham e paravam ali sobre minha calçada, é meio louco dizer isso, mas até parece que elas tinham vidas, e paravam lá por querer.
Tudo nessa época era irritante, e eu sempre esperava ansiosamente pela a estação seguinte, não que uma seja melhor que a outra, mas é que minhas rotinas variavam.

Inverno

                   O inverno era perfeito, frio, chuva, café quente e nada de folhas secas na minha calçada. Eu mal saia na rua, ficava dentro de casa a maior parte do tempo de baixo de um cobertor, era perfeito até uns dias. Mas depois de certo tempo aquela estação me incomodava, incrível como consigo achar defeitos em algo que é tão perfeito, e logo eu começava a ficar ansioso pela próxima estação, achava que tudo seria diferente, mas não, não era, e quem disse que eu queria acreditar ?
Talvez ela tenha razão, sou tão ambicioso que nada me satisfaria, nem mesmo os meus sonhos realizados. Quantos desejos já realizei e ainda me sinto vago de tudo  aquilo que o mundo pode me oferecer? E ainda acredito que uma simples mudança de estação mudaria essa minha nostalgia.

Primavera

                Ah, a Primavera, a estação mais bela do ano, faz sua entrada triunfal de chuva com sol, como podem explicar tal coisa? A primavera é tão delicada, as flores fazem parte do seu show, cores fortes e alegres se espalham por todos os lados e de todos os jeitos. Dizem que é a estação mais apaixonante, ótima para os românticos ‘’ como se ainda existisse alguma pessoa com tal dom.’’
Nada de dias brancos como o inverno, nada de folhas secas para fazer os meus dias um inferno, então me diga o que faltava na primavera? Eu sentia que não estava completo, perfeccionismo meu ou erro de Deus?
Será que o verão tem o que procuro? Será que Deus fez todas as coisas faltando algo? Por isso nunca nos sentimos completos? Deve ser isso, não tem outra explicação... Vou esperar pelo verão.

Verão

               Chega uma das estações mais bipolar do ano, com variações de tempo, de humor. Ora faz sol – Ora chove.  Não dava pra confiar no verão, não podemos programar nada, pois não sabemos como será o seu humor amanhã. Acho que o verão tirava ‘’onda’’ com a nossa cara.
Aquela semana estava muito ensolarada, não havida nenhum indício de chuva, eu e alguns amigos marcamos de ir à praia no domingo. Depois de um grande estresse na fila do mercado e no trânsito, chegamos a praia. Algumas horas depois o sol deu lugar a chuva, vi gente correndo pra lá e pra cá com algo na cabeça pra tampar, não sei por que, mas acho que já sabia que isso aconteceria, não sou pessimista, ou sou?! Não quero pensar sobre isso agora.
E ouvi novamente a voz dela me dizendo ‘’ nada satisfará sua ambição. ‘’ Ela estava certa, mas pra que eu iria assumir? Só pra dar a ela o gosto da razão? Não, isso não!
             _ Vamos logo cara, olha a chuva!!!
 Eu não queria ir embora, queria ficar ali, queria que aquela chuva lavasse minha alma e levasse minha nostalgia consigo, meu medo era enorme de não mais conseguir exalar um sorriso sincero. É frustrante você saber que lutara por algo, e depois de consegui-lo, não será o bastante para lhe satisfazer.
             Cheguei em casa, aquele dia foi mais tenso que os outros, meus amigos bebiam e riam, riam, de  que? Eu não sabia, mas nem me importava, a voz infernal dela não saia da minha cabeça. Nem vi direito o verão passar e quando dei por mim, a praga das folhas do outono já cobriam a minha calçada novamente.

Outono

            _ Isso era um ciclo, como o tempo passou rápido, não? Tor? Tor? Cadê esse cachorro?! Toda vez é isso. TOR? TOR?
E lá estava ele, brincando no meio das folhas secas que cobriam a minha calçada, ri, dei gargalhadas, como é possível algo tão simples nos fazer tão bem? Como é possível o perfeito ter defeitos que o simples não tem?
Pela primeira vez os papéis tinham se invertido, ela estava errada e não eu. Mas já passei do tempo de disputar a razão, estou velho demais pra isso, velho demais para ter amores impossíveis... Mas nada disso me impede de sempre aprender algo novo, aprendi com o outono, com o inverno, com a primavera e com o verão que quem tem que mudar sou eu, e não a situação.


Escrito em: 20 de Dezembro de 2011

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