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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A minha Tereza

                          Seque tuas Lágrimas, pois lhe trago sorrisos
                           Trago a Loucura, levarei embora o juízo
                           Te trouxe a coragem, sepultarei o seu medo
                           Sou o seu melhor lado, teu sentimento verdadeiro

                           Não existe mais dúvidas, e nem indecisões
                           Te mostrei para o mundo, te libertei das suas prisões
                           Te mostrei o que é lindo, e você me retribuiu com a sua beleza
                           Sou o teu amor, e tu és a minha Tereza!

O começo do fim!

                     Aqui do primeiro andar tenho a visão privilegiada da tua vida. Não, não é que eu te espiono, nem sou psicopata ao ponto de te seguir, é que por falta do que fazer, bebo café demasiado na varanda, e sempre fumo um cigarro para acompanhar, pra preencher de fumaça o vazio no peito, e falando em acompanhar, daqui de cima eu sempre te vejo acompanhada. É difícil morar no mesmo condomínio que você, depois que nos separamos meu apartamento virou meu refúgio, o meu relógio, só estou esperando a minha hora chegar, não de melhorar de vida,  nem de animo, ou de parar de ficar pensando em talvez uma reviravolta na gente, mas a minha hora de sair desse plano, desse mundo, já pensei em eu mesmo fazer isso várias vezes, mas não teria a mesma graça!
                  Eu sempre te dizia que eu nasci na época errada, eu sempre comentava com você que achava tão estranho esse amor moderno, onde as pessoas se amavam, são intimas, são o porto seguro do outro, e abruptamente virarem estranhos, ao ponto de da nem um mero bom dia. Quantas vezes eu te fiz prometer que nunca iriamos nos separar? eu sempre te implorava com meu olhar de medo, eu já sabia que tudo isso iria acontecer, não sou vidente e nem prevejo o futuro, mas sempre soube que perderia o chão sem você aqui, aliás, você sempre teve facilidades de tocar a vida pra frente, contando comigo você já tocou a vida pra frente oito vezes, e eu a primeira, aliás, nem a primeira, pois não toquei a minha vida, e nem estou conseguindo, nada mais faz sentido aqui! Fico pensando se você pensa em mim, na gente, pois nem sempre foram brigas, nem sempre foram choros, tivemos sorrisos, tivemos momentos felizes, sera que ainda se lembra deles?
                 Te vejo sempre acompanhada, te vejo sempre sorridente, animada, parecia a gente no começo de tudo dentro do carro na porta da sua casa altas horas da madrugada, é assustador, mas não consigo esquecer nenhum detalhe.
                O seu maior erro foi se apaixonar por alguém que eu poderia ser, e não pelo o que eu era, e o meu maior erro foi tentar te provar que sendo eu mesmo eu poderia ser bem melhor do que quem você queria que eu fosse, complicado não é? Mas é a verdade! Enfim, não sei se um dia você ira ler essa carta que escrevo, mas se ler, quero que saiba que os melhores momentos da minha vida foram do seu lado, e por tanto querer revive-los e sabendo que não poderei, eu decidi me trancar nesse meu mundo  preto em branco.
               Quando brigávamos você sempre me dizia que eu iria morrer sozinho, é, como você sempre gostou de estar certa eu te digo, você acertou novamente! Morrerei achando que nasci na época errada, essa modernidade de amor é demais pra mim, um dia você ama, é intimo da pessoa, e de repente quem amava, não ama mais, quem tinha intimidade, não tem mais. Um amor como o nosso, de tantas rugas acabou precoce, o seu na verdade, pois aqui dentro de mim ainda bate o amor que te jurei ter pro resto da vida, to velho pra novas emoções. Esse é só o começo do fim da minha vida!


Escrito em: 18 de Agosto de 2016

Simplesmente você

                     Nessa altura do campeonato não me importa mais descobrir quem esta com a razão, troquei essa tal feição pela própria paz de espirito.
                     Muito tempo sem entender o porque de tantas pedras no caminho, de tantos dias em preto e branco, de tantos sorrisos insanos, mas como sempre dizia papai '' sempre tem um motivo, nada é por acaso.'' Olha só, quem diria que um dia papai diria algo que realmente fosse verdade, depois de tantas mentiras ditas. É vero, não foi por acaso, foi porque era pra ser, era pra acontecer, sempre foi você mesmo eu nem sabendo de sua existência, era pra ser você desdo início de tudo, e quando me apareceu, de mansinho, mudou o meu mundo.
                     As vezes me pego olhando no espelho e imaginando o quão Deus te castigou por me ter em sua vida, um carma, não, não é questão de auto-estima como se dizem por ai, mas é questão de saber que você poderia conseguir algo bem melhor, do que uma pessoa que vive com o pé no chão e a cabeça nas nuvens, uma pessoa que insiste sucessivamente diariamente em te mostrar que os melhores motivos pra um sorriso verdadeiro esta no intimo do simples, sem ao menos ter um fio de compreensão que sua pessoa não se contenta com o simplesmente simples.
                    Mas que bobeira minha não é? Mais tolo ainda em não ter conseguido enxergar que o simples te faz bem, que você consegue reconhece-lo, porém o que te incomoda é '' simplesmente'' o comodismo.
                    Mas já perdi a insensatez de ter a razão, a qual não compensa ter, pois ela sempre vem acompanhada com um grande peso de responsabilidade, e uma dose considerável de narcisismo.
Dizem por ai que o motivo de lágrimas de um é o mesmo motivo do sorriso do outro, não sei se me ter em suas mãos feito fantoche pra você é motivo de lágrimas, por talvez ser um carma, porém do outro lado tem eu, sabendo que você não é minha, e não é de ninguém, é apenas é de você mesma, mas fico '' simplesmente'' feliz em saber que tenho você do meu lado.
                    Em você depositei a última dose de confiança que eu tinha, de amor, de carinho, dizem que nada é para sempre, é cliche falar isso, mas se nada é para sempre, eu não quero ser o teu tudo, quero ser o teu nada.
                     Ah, sabe o que eu fiz com as pedras no caminho? dos dias em preto em branco? dos sorrisos insanos? Agradeci por tudo, por todo os antigos amores que deram errados, que me fizeram chegar até você, e descobri que é com você que o caminho fica melhor de trilhar, que os dias tem suas cores vivas, e que o motivo do meu verdadeiro sorriso é simplesmente você.


Escrito em: 16 de Março de 2016

Paredão Azul

                     Meu bem, certas coisas não tem explicações e nem sentido, elas simplesmente acontecem. Assim digo de que nada adiantou tentarmos planejar uma fuga de nós mesmo em um papel tão vulnerável quanto éramos naquela situação. Não fomos os perfeitos cúmplices e nem fizemos um crime perfeito, daqueles que não deixam vestígios e nem rastros...
                    Fugimos do plano, perdemos o controle da situação de uma tal forma, que olhamos pra esse imenso paredão azul, com alguns riscos brancos chamado de céu, e achamos que sim, temos nossas limitações, que essa tal liberdade não funciona tão bem quanto pensávamos, e nos sentimos escravos de nossas próprias vontades, mesmo sabendo que podemos atravessá-lo com o peito aberto.
                   O nosso plano era tão perfeito, nada de sentimento, nada de dor, nada de sofrimento, nada de saudades, nada de nós um pro outro... Mas erramos, quebramos a jura, e quem disse que foi tão ruim assim? Mas há sempre um preço a se pagar, que às vezes é alto demasiado. E no nosso caso ficou a saudade, as lembranças, o arrependimento de sempre achar que o tempo estava ao nosso favor.
                   Você rasgou o paredão azul com suas próprias escolhas e pegou aquele avião, cortou o céu, cortou a sua liberdade, se limitou a um homem que não entende o seu olhar pedindo o mínimo, atenção, carinho. Esse foi o nosso pecado, nos envolver, mesmo sabendo que era quase impossível ficarmos juntos, esse foi o nosso crime.
                    Até parece coisa de novela, antes fosse, pelo menos saberíamos que no final iríamos acabar juntos. Apesar de tudo, ainda ando te escrevendo nos meus contos, e ainda espero te ver quebrando o paredão azul, e nunca mais sair do lugar da onde você nunca deveria ter saído.


Escrito em: 18 de Agosto de 2013

Amor de Carnaval

                     [...] Bem, agora que todos já se foram, posso dar play no meu gravador e te contar certas coisas que não terão preço.
                    Durante algum tempo tentei ser o melhor naquilo que sabia fazer, do meu jeito, eu sei, implícito, com cigarros na boca e olhar seco.
                    Me preocupei do meu jeito, te procurei quando achava que deveria, algumas vezes deixei você ir, porem você nunca soube voltar, sempre desvia-se do caminho, e te ajudar a voltar pra casa meu bem, depois de alguns porres, não era tão simples como parece nessa fita.
                    Desonrei meu nome, deixei de acreditar no que era inacreditável  não acreditar, só pra estar com você por algum tempo. Encantei teus ouvidos com palavras eternas, mas todas em vão, pois nós fomos tão passageiros. Agora daqui de cima, com chuva fina, percebo que você encontrou o caminho certo, sem precisar de alguém, caminhando sozinha...
                    Já me cansei de esperar, sem me apegar em algo. Esperar dos outros é pior do que ir atrás em vão. Sou o pior em amar em você, mas é isso que sei fazer de melhor, ou sera ao contrario? Agora não importa, a ordem dos acontecimentos não alteram os malditos km e nem diminui a ansiedade de sentir teu cheiro, e de beijar a sua boca.
                    Fomos tão previsíveis, demode foi o seu jeito de escolher a estrada certa para se caminhar, me deixando fora da sua legenda. Por isso te digo, morena, é incrível, mas sem você  me sinto sozinho no País do futebol e do carnaval.


Escrito em: 16 de Fevereiro de 2013

Castelo de Areia

                     Ouvi muito se dizer em saudade, em amor, como isso pode acontecer? Pela física dois corpos não poderão ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, e se isso for regras ou leis? O que fizemos? Foi um crime? Ou tudo que é feito com amor, mesmo errado, é justificado e perdoado?!
Quem ira nos responder? Mas do que adianta respostas, se nem sabemos ao certo qual é a pergunta?                       Mas foi assim, quebrando regras e medos, que você veio, sem rodeios e se apossou de mim. Falava-se na esperança de você ficar, enchia teus ouvidos com promessas lindas e tentadoras, naquele lugar eu era nada, nem você, mas eramos tudo um do outro, por um minuto, por sete dias...
E a princesinha se tornou rainha do castelo, quebrando as regras que você mesma tinha criado. E foi assim, sem leis, sem reis, sem uma hierarquia certa sobre si que você se foi, como um abandono de mandato, como uma quebra de contrato, sem razão... Razão?! Se é verdadeiro, não precisa fazer sentido, apesar que agora que uma das malditas leis de Newton fez-se por verdade, quase tudo se encaixa.
                    Apenas lembranças não bastam para me fazer rir e ter aquela sensação que me trazia ao me abraçar. Mas sempre fica alguma coisa, alguma roupa para buscar, um sentimento que não foi vivido como se pretendia, algo para lembrar. Mas você sempre estará em mim, em alguns momentos como um pensamento bom, em outros como um amargo arrependimento no peito de não ter te impedido. E o sentido disso tudo? Deixa nos mais de novecentos quilômetros que nos separam.


Escrito em: 02 de Fevereiro de 2013

O Último Aviso

                     Sei que agora você poderá estar um pouco confuso de não ter encontrado minhas roupas intimas no banheiro, e notará que o piso estará molhado, fiz questão de não limpar pra você reparar que algo esta errado por ai, quem sabe assim você perceba que meus avisos não eram chantagens pra que você mudasse, e nem que meus choros eram falsos. Quantas vezes eu te falei, hein?! Que isto um dia iria mudar! Você nem se lembra mais de voltar pra casa aos finais de semana, quem dirá do meu aniversário. Agora você acredita em mim quando eu dizia que tinha me cansado de tudo isso? Dessa mesmice.
                    Alguns me diziam que era démodé sofrer por amor, ficar no meu quarto com sua foto tentando imaginar por onde andava, me fez descobrir que o amor, o sofrimento, a esperança de dias melhores, eram démodé. As madrugadas vazias me fizeram enxergar quão ridícula eu estava sendo, te esperava pro jantar, te esperava pra dormir, te esperava pra sermos um só. Eu sinto como se você nunca me quisesse ter na sua vida, sinto como se a nossa união fosse um acidente do destino, mas se isso fosse verdade, porque me pediu em casamento debaixo daquela arvore, na rua 14, naquela noite fria olhando em meus olhos, prometendo me amar pro resto da vida, não faz sentido. Nossos risos já foram embora, e nesse casa só ficou a dor, na verdade, sobraram apenas alguns pedaços de mim espalhados pelo o chão da sala.
                    Disseram-me uma vez que o amor é eterno, o nosso pode ter acabado, mas as lembranças, meu bem, estas não morrem. Realmente hoje não me importa mais saber se você acreditou ou não em meus avisos, e nem adianta mais dizer que vai mudar, e nem trocar a lâmpada da cozinha que te pedi muito tempo atrás.
                    Espero de verdade que você perceba que além do guarda roupa vazio, do banheiro molhado, da casa mal arrumada, venha notar a minha ausência, e sentir minha falta, porque só assim saberás como me senti muitas vezes quando estávamos juntos, aliás, juntos não, porque você nunca esteve comigo, apesar de sempre estar ao seu lado nas horas mais difíceis da sua vida. O que sobrou desses vinte e poucos anos além de lembranças e mágoa? Pra mim nada e pra você esta carta. Não sei resumir tantos anos, tantos sofrimentos em poucas linhas.
                   Enfim, não se esqueça de aguar as flores que eu sempre cuidei, e nem de passar suas roupas, não deixe acumular cartas na caixa de correio, e cuidado pra não deixar o tapete do banheiro embolado. Você reclamava tanto dessas minhas manias que em alguns dias sentirá falta. É isso, amor, aliás, é isso que é o amor, um lado felicidade, do outro lado a dor, nada mais.


Escrito em: 10 de Junho de 2012

As Quatro Estações

Outono

                    Já era fim de tarde e eu ainda varria aquelas malditas folhas secas que possuíam a minha calçada e toda a rua.
                    _ Malditas folhas secas, todas as tardes a mesma coisa. O que elas acham que são para virem aqui na minha porta todos os dias e se acomodarem?!
                    Mas aquelas folhas não tinham ouvidos e nem culpa, por isso todos os dias com ajuda incontestável do vento, elas vinham e paravam ali sobre minha calçada, é meio louco dizer isso, mas até parece que elas tinham vidas, e paravam lá por querer.
Tudo nessa época era irritante, e eu sempre esperava ansiosamente pela a estação seguinte, não que uma seja melhor que a outra, mas é que minhas rotinas variavam.

Inverno

                   O inverno era perfeito, frio, chuva, café quente e nada de folhas secas na minha calçada. Eu mal saia na rua, ficava dentro de casa a maior parte do tempo de baixo de um cobertor, era perfeito até uns dias. Mas depois de certo tempo aquela estação me incomodava, incrível como consigo achar defeitos em algo que é tão perfeito, e logo eu começava a ficar ansioso pela próxima estação, achava que tudo seria diferente, mas não, não era, e quem disse que eu queria acreditar ?
Talvez ela tenha razão, sou tão ambicioso que nada me satisfaria, nem mesmo os meus sonhos realizados. Quantos desejos já realizei e ainda me sinto vago de tudo  aquilo que o mundo pode me oferecer? E ainda acredito que uma simples mudança de estação mudaria essa minha nostalgia.

Primavera

                Ah, a Primavera, a estação mais bela do ano, faz sua entrada triunfal de chuva com sol, como podem explicar tal coisa? A primavera é tão delicada, as flores fazem parte do seu show, cores fortes e alegres se espalham por todos os lados e de todos os jeitos. Dizem que é a estação mais apaixonante, ótima para os românticos ‘’ como se ainda existisse alguma pessoa com tal dom.’’
Nada de dias brancos como o inverno, nada de folhas secas para fazer os meus dias um inferno, então me diga o que faltava na primavera? Eu sentia que não estava completo, perfeccionismo meu ou erro de Deus?
Será que o verão tem o que procuro? Será que Deus fez todas as coisas faltando algo? Por isso nunca nos sentimos completos? Deve ser isso, não tem outra explicação... Vou esperar pelo verão.

Verão

               Chega uma das estações mais bipolar do ano, com variações de tempo, de humor. Ora faz sol – Ora chove.  Não dava pra confiar no verão, não podemos programar nada, pois não sabemos como será o seu humor amanhã. Acho que o verão tirava ‘’onda’’ com a nossa cara.
Aquela semana estava muito ensolarada, não havida nenhum indício de chuva, eu e alguns amigos marcamos de ir à praia no domingo. Depois de um grande estresse na fila do mercado e no trânsito, chegamos a praia. Algumas horas depois o sol deu lugar a chuva, vi gente correndo pra lá e pra cá com algo na cabeça pra tampar, não sei por que, mas acho que já sabia que isso aconteceria, não sou pessimista, ou sou?! Não quero pensar sobre isso agora.
E ouvi novamente a voz dela me dizendo ‘’ nada satisfará sua ambição. ‘’ Ela estava certa, mas pra que eu iria assumir? Só pra dar a ela o gosto da razão? Não, isso não!
             _ Vamos logo cara, olha a chuva!!!
 Eu não queria ir embora, queria ficar ali, queria que aquela chuva lavasse minha alma e levasse minha nostalgia consigo, meu medo era enorme de não mais conseguir exalar um sorriso sincero. É frustrante você saber que lutara por algo, e depois de consegui-lo, não será o bastante para lhe satisfazer.
             Cheguei em casa, aquele dia foi mais tenso que os outros, meus amigos bebiam e riam, riam, de  que? Eu não sabia, mas nem me importava, a voz infernal dela não saia da minha cabeça. Nem vi direito o verão passar e quando dei por mim, a praga das folhas do outono já cobriam a minha calçada novamente.

Outono

            _ Isso era um ciclo, como o tempo passou rápido, não? Tor? Tor? Cadê esse cachorro?! Toda vez é isso. TOR? TOR?
E lá estava ele, brincando no meio das folhas secas que cobriam a minha calçada, ri, dei gargalhadas, como é possível algo tão simples nos fazer tão bem? Como é possível o perfeito ter defeitos que o simples não tem?
Pela primeira vez os papéis tinham se invertido, ela estava errada e não eu. Mas já passei do tempo de disputar a razão, estou velho demais pra isso, velho demais para ter amores impossíveis... Mas nada disso me impede de sempre aprender algo novo, aprendi com o outono, com o inverno, com a primavera e com o verão que quem tem que mudar sou eu, e não a situação.


Escrito em: 20 de Dezembro de 2011

Versos de um Bêbado

Maldito sejas
Maldito és
Quebrastes o meu orgulho
Fizeste-me sólido, e singular
Amante dela, da primavera,
da menina dos olhos da cor do mar.
Maldito será
Maldito amor
Que és tão mal compreendido
Maldito... Maldito...
Que pulsas dentro mim tão doído
Apartai-vos do meu coração
Antes que eu mesmo faça isso.

Escrito em: 13 de Outubro de 2011
[...]
_Garçom, me traga mais uma dose de 51, por favor!
_Já bebeu demais, amigo.
_Um copo de cachaça nunca é demais para um peito vazio.
_A vida não acaba hoje.
_A vida que me espere
O amor que me encontre
A saudade que exploda o meu peito
A duvida que encontre a certeza
A mentira que seja a verdade dos tolos
Os poetas que sejam loucos
Os compositores que sejam mal compreendidos
E que as respostas venham em tons de sol e dó sustenido.

(risos)

_Hoje a noite vai ser longa (risos) [...]

Escrito em: 26 de Julho de 2011

Atrás das Cortinas

Apagaram-se as luzes
A última palma foi ouvida
As cortinas se fecharam
Os gritos eufóricos se silenciaram
Chega ao fim mais um espetáculo
Chega o início de um dia sem teatro
É a vida fora dos palcos
É a vida atrás das cortinas
Ninguém vê, ninguém sabe,
ninguém diz a verdade
O refúgio de muitos é a mentira
Acontece violência em todas as esquinas
Acontecem fatos e desafetos todos os dias
Mas vida que a Tv transmiti só tem alegria.


Escrito em: 25 de Julho de 2011

Amor Barato

Faço o teu gosto, beijo o teu rosto e digo que sou sua.
Me tira a roupa, alisa o meu corpo e me deixa toda nua.
Te faço pensar que tem poses de mim,
te induzo ao pecado, realizo as suas fantasias
em troca de qualquer trocado.
Te abro um sorriso, invento o que sinto
te iludo com promessas.
Quando o sol vem, já não estou mais contigo
já não mais me tem.
Quando for me procurar, sabes onde me encontrar
Vou estar em qualquer esquina
Mas fique ciente que se queres o meu amor, terá que pagar.


Escrito em: 01 de Abril de 2011

Sem lugar certo de dormir

Não preciso ter medo, pois sou o medo em carne e osso, sou quem a sociedade evita ver e conversar. Não preciso ter cisma de andar na rua sozinho a noite, pois ninguém se atreve a me roubar. Em meu nível, tudo vale para sobreviver, matar para não morrer, roubar para saciar minha fome e sede. Não tenho cama, nem rede, nem lugar certo para dormir, não tenho casa pra ficar, nem família pra amar, sou de todo mundo mas ninguém é meu, sou o monstro que as crianças temem, sou o resultado do sistema, como dizem os filmes dos cinemas, sou a realidade desse mundo, essa é a minha palavra, dentre tudo, eu não sou nada, mas não sou o demônio como alguns dizem por ai, apenas sou um mendigo que não tem lugar certo de dormir.


Escrito em: 06 de Março de 2011

Viva com sabedoria

Deixamos o passado para trás e aceitamos as mudanças como se tivéssemos escolha.
Deixamos então o futuro com quem já passou por ele, e o presente fica com a gente, mesmo não sabendo se o merecemos.
Pois a vida não é como a primavera que vai, mas temos certeza que volta, e que sempre faz uma entrada triunfante de chuva.
Comece então a viver a vida, isso é o que mais ouvimos hoje em dia, mas devemos ser maduros o suficiente para entender a diferença de viver a vida, e de viver o momento.
Pois quem vive a vida com sabedoria evita futuramente o sofrimento.
Então comece a procurar a paz, ela pode estar no futuro, no presente, ou até mesmo em algo que você já deixou para trás.
Resgate aquilo que te faz sorrir, pois a vida é curta demais para fingir um sorriso.
Abra os teus olhos, faça um pedido, ande sempre em frente, seja positivo, não confie na sorte, apenas faça ela ser sua, pois todas as vitórias foram semeadas após a luta.
Saiba a hora certa de falar e de ouvir.
Saiba a hora certa de recuar e de agir.
Saiba a hora certa de ficar e de partir.
Saiba a hora certa de ter a sua própria família.
Saiba viver a vida com sabedoria.


Escrito em: 02 de Março de 2011

A criança dentro de si

                   Que bobagem,
                      as rosas não falam, o vento não canta, e o mar não sabe amar.
                   Que falta de bom senso,
                       parecemos crianças, acreditamos em contos de fada.
                   Que desperdício,
                       somos adultos, vivemos em luto e sentimos dor,
                       choramos e pouco sorrimos,
                       a palavra felicidade já se perdeu com a palavra amor.                              
                   Somos cruéis e partimos corações,
                       somos os reis dessa nova geração.
                  Que bobagem essas palavras,
                      somos adultos e somos capazes de amar,
                      de chorar, de cantar,  de sorrir.                                      
                   Pois sei que por mais oculto que esteja,
                      cada um contém uma criança dentro de si.


Escrito em: 25 de Fevereiro de 2011

sábado, 19 de novembro de 2016

A página que nunca foi lida

                     Como o de costume de qualquer criança normal, eu não gostava de ler, meu irmão não, sempre comprava, ganhava lia e relia livros, livros diversificados, com histórias e escritores diferentes. Meu irmão sempre me dizia para ler.
                    _Ranita, larga de brincar um pouco e leia um livro! Você viajará mais do que viaja com as suas brincadeiras.
                   Poxa, ele falava aquilo com tanta convicção, com uma empolgação incrível, mas como algumas palavras misturadas poderiam fazer alguém viajar?
                   Meu irmão sempre ia em uma livraria de livros usados dirigida por um casal de idosos, que falavam a mesma língua que ele. Mas eu não. Eu achava os livros legais, eles num canto e eu no outro. Mas então de surpresa, ganhei um livro do meu irmão. Eu encantei com a capa, era de um menino em cima de um mundo, um príncipe, um pequeno príncipe. Aquele livro ficou na estante da minha casa por vários meses, e eu olhava a capa e folheava as páginas só pra ver se tinha mais gravuras, e quando eu pensava ''vou ler'' eu olhava o tanto de página e logo ia brincar. De tanto brigarem comigo, eu verdadeiramente peguei o livro pra ler, li a biografia do escritor, não entendi nada, mas quando eu ia entrar na história.
                 _Ranita, Ranita, oh Ranita! Vamos brincar! Minhas amigas interrompiam, sempre era assim.
                 Em um final de semana qualquer _não tão qualquer assim_ a rua onde eu brincava estava quieta, meus pais dormiam em plena tarde de domingo, e meu irmão como de costume lia um livro, minhas amigas estavam viajando, eu queria viajar também, mas como? nem saia da rua de cima da minha casa. Ah, aquele livro me perseguia! Eu vi dois caras estranhos comentando sobre o livro e eles terminavam a frase um do outro, parecia que era combinado.
                Enfim peguei esse bendito livro que me perseguia dia e noite. Já que havia lido a introdução, então pulei logo para história antes que alguém me interrompesse. No começo, eu confesso que foi entendiante, mas já na décima quinta página comecei a me envolver com cada palavra, mas não conseguia ler dez páginas no mesmo dia, era o primeiro livro que eu lia, no máximo era três páginas por dia que eu conseguia ler. O livro era um pouco grande, mas eu não ligava para as páginas, pois as páginas já haviam me domado, mesmo minhas amigas me chamando pra ir brincar, eu não aguentava deixar de ler mais um trecho e outro e mais outro, seria como se uma mãe tivesse abandonando o próprio filho, talvez seria a mesma dor se eu abandonasse aquele livro, então deixei as amigas de lado e fiquei com o meu filho, quer dizer, o livro.
                Algum tempo depois, faltavam só duas páginas pra o terminar, mas como o livro veio de uma livraria de livros usados, obviamente o livro era usado, pior, a ultima página estava colada.
              _E agora como vou saber o final? Demorei muito pra ler esse livro, como eu vou descolar essa pagina? Vai que em vez de descolar ela rasga.
                Então eu vi que não havia solução e comecei eu mesma fazer o meu final  e tentando imaginar se era igual a do livro, li o livro três vezes ainda durante a minha infância, até cheguei a colocar a página contra o sol pra ver se via algo, mas nada, parecia que não era pra me ver mesmo, o primeiro livro que li e não sabia qual era o final, que triste não? E logo abandonei aquele livro, mais não o final, cujo nem sabia qual era, e voltei a ser uma criança ''normal''.
                Já na adolescência, em uma livraria eu vi o mesmo livro que li há anos atrás, empolgante já o apanhei sobre minhas mãos, mas antes de abri-lo eu pensei, já se passaram tantos verões sem saber o fim dessa história, talvez o meu final seja mais emocionante. Então sentei perto da escadaria, colei a ultima página daquele e de todos os livros daquela livraria, fiz o mesmo que fizeram comigo um dia, não, eu não sou pessoa má e nem vingativa, apenas estou fazendo o meu próprio final de uma página que nunca foi e nunca será lida.

Escrito em: 21 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Folha

                    Foi estranho quando me arrancaram de dentro do caderno, antes eu era uma simples folha, agora sou uma eterna lembrança.
                   Fui arrancada de onde eu ficava, escreveram sobre mim com lágrimas, me colocaram em um caixa cujo tinha várias cartas, de toda parte do mundo, com várias letras, cheiros e histórias diferentes.  
                   Mas até então eu não sabia qual era realmente o meu ''papel'', não sabia o porque que derramaram lágrimas sobre mim, porque me deixaram sozinha por um bom tempo em uma caixa de correios vazia.
                   Mas tudo ficou explícito quando o remetente me leu e deu um grito, era uma mãe escrevendo para o seu filho, uma mãe com saudades, que com lágrimas me rabiscou, agora em vez de uma simples folha, sou uma pequena amostra de amor.


Escrito em: 15 de Fevereiro de 2011

Velhice

                    [...] Eu criei seis filhos com muitas dificuldades, minha esposa morreu logo após ter ganho o ultimo filho, mesmo assim não deixei o medo me intimidar, saia de madrugada para trabalhar, enfrentava o frio e os espinhos da mata, fui humilhado por barões ''meus patrões''  , eu fazia de tudo naquela fazenda, era vigia durante a noite, de dia dava comida aos porcos, cuidava do gado, cuidava do jardim e até lavava os pratos, muitas vezes pensei em pedir conta, mas lembrava dos meus filhos que precisavam desse meu esforço até mais do que eu, eles me davam força.
                        E quando o final de semana chegava, todos os meus seis filhos se animavam, pegavam pra mim a viola pra tocar pra eles uma ''moda de viola'' e ao som do passarinho eles iam dormir, imaginando uma boa coisa que ainda esta por vim. E com dificuldades eu os criei, dei carinho, dei amor e os alimentei, sonhava alto para eles, sonhava com a faculdade, pois eu não queria que eles vivessem com dificuldades, não os deixei trabalhar para não ter desculpas de não estudar.
                       E foram crescendo e sonhando junto comigo, eu dizia para todos as maravilhas de filhos que eu tinha, e agradecia a Deus todos os dias de'' manhãzinha'', eu os respeitava, não arranjei outra mulher porque eles não queriam madrasta, mas nada era mais valioso do que os sorrisos dos meus filhos.
                      E agora com o rosto cansado, mãos calejadas de tanto trabalho pesado, estou em um asilo, jogado e abandonado pelos meus queridos filhos, e como diz um ditado que ouvi a muito tempo atrás, diz que ''um pai trata de dez filhos e dez filhos não trata de um pai.''


Escrito em: 15 de Fevereiro de 2011


A menina dos olhos castanhos claros

O que você esta fazendo?

_Esperando.
_Esperando quem?.
_O meu amor.
_Vai espera-la até que horas?
_Até ela chegar.
_Quando ela vem?
_Ao entardecer.
_Não faz sentido isso.
_Realmente, o amor não faz sentido.

(silêncio)

_Lá vem ela.
_O seu amor?
_Sim.
_Não a vejo.
_Repare bem que conseguirá vê-la.
_Onde ela esta?
_Esta nos mínimos detalhes do entardecer.

(risos)

_O meu amor é o pôr do sol.
_Como assim?
_O meu amor é o pôr do sol.

(Silêncio)

_E quem é a dona desse seu amor?
_A menina dos olhos castanhos claros.
_E onde ela está?
_Não sei, só sei que ela não esta no seu devido lugar.
_E onde é o devido lugar dela?
_Do meu lado.

(Risos)

Escrito em: 08 de Fevereiro 2011

O Repúdio

                    Vá embora de casa, me deixe com os filhos e com a morada, as outras que te deem lugar, pois preferiu elas pra estar nas noitadas, bebendo e se divertindo a várias quadras daqui.
                    Vá embora e me deixe sozinha, prefiro sentir-me vazia do que estar ao lado de um traidor, que só me causou dor.
                    Não se preocupe que ligarei se tiver deixado algo para trás, além da sua família, mas sei que não atenderá o celular, pois estará com outra na cama, dizendo que a ama e as mesmas palavras de amor que me disse um dia
                    Sei  que logo arranjara outra pra lavar e passar as suas roupas, mas nenhuma vai conseguir te amar como eu te amei. E quando olhar a nossa fotografia, percebera que uma família tem mais valor do qualquer outra coisa, e nesse momento de solidão, teu coração baterá vazio, arrependido, verás que o prazer momentâneo não será tão intenso que o arrependimento, a solidão se estenderá mais que um sono mórbido que dormirás de ressaca depois de suas noitadas.


Escrito em: 01 de Fevereiro de 2011

Lágrimas

Lágrimas
de sorriso ou de choro.
de medo ou de coragem
de paixão ou de amo.
de felicidade ou de dor
Lágrimas
de homem ou de mulher
da esposa ou do marido
do neto ou do filho
Lágrimas
de vitórias ou de derrotas
de ganhos ou de perdas
Lágrimas
de amigo ou de inimigo
do tudo ou do nada
não importa,
continuam sendo lágrimas,
amargas e salgadas.


Escrito em: 09 de Janeiro de 2011

Triste e Vazio

Aproveite bem o seu dia, pois a noite é triste e vazia...

Sou o medo
Sou a dor
Sou a voz que chama por amor 
Sou o gemido triste
da mãe abatida.
Sou o pedido de socorro
daquele que clama pela vida.
Sou a paixão doentio
Sou igual a noite
Triste e vazio.



Escrito em: 07 de Janeiro de 2011

Cuida de Mim

Sempre que te faço rir, que te olho, meio assim, com cara de bobo. Que cuido das suas plantas. Que esquento tua janta. Sempre que me jogo no seu colo enquanto lê na cama, de manhã. Quando encosto meu rosto no seu. Que rio da sua cara amassada. Que lavo tuas roupas íntimas. Sempre que confesso ciúmes bobos. Que entrego planos. Que lhe digo: eu te amo. Sempre, quando te ligo de madrugada-por falta de assunto- invento alguma coisa boba, te deixo preocupada, para confessar, no dia seguinte, que queria apenas te ver. Que queria que você viesse. Sempre quando vou para sua casa e te faço sair do banho pra abrir a porta. Que te abraço, te beijo a testa. Que vejo a noite cair e não faço menção de ir embora.
Sempre, o que quero que entenda, são meus sinais aflitos que dizem: ''Cuida de mim''


Escrito em: 03 de Janeiro de 2011

Olhos Orgulhosos

                    Pra você, ela sempre lhe quis descrever o indescritível, mas nunca conseguiu lhe fazer entender. O bilhete sobre a mesa não revela realmente o que ela tem a dizer.
                   Sim, pra você isso é algo oculto, pra ela é algo pro futuro. Depois de muitas tentativas frustrantes de achar uma forma mais explicita para lhe contar, ela cai em prantos. Sem saber o que fazer, ela se desespera, e entre soluços e um sentimento infernal de fracasso, ela fala baixinho.

 _Tudo começou com um simples abraço.

                  Depois de várias noites em pranto, ela se decide levantar da cama, acende um cigarro, com a maquiagem borrada, vai até o seu apartamento.
                  Ainda com marcas de tristeza em sua rosto, olha em seus olhos orgulhosos, os mesmo que parecem não enxergar nada. Com um cigarro na boca, outro masso na mão, fumaça no peito, e dor no coração, ela abre um sorriso, amarelado e indeciso.
                 Ele não entende muito, como sempre, ele não entende que isso não é nada oculto, e nem um grande mistério a se desvendar, e sim um sentimento sincero, aquele que tanto sonhava, e por achar que a perfeição morasse tão longe, não conseguiu entender, o que tanto procurava estava em um simples olhar, e por falta de tempo ou de atenção, aquele rapaz acabou de perder o maior sentimento que vem do coração.

Escrito em: 23 de Dezembro de 2010

Um pouco de Paz

Já perdi o barco
já perdi o equilíbrio
não sei se estou no fim
ou simplesmente no inicio
agora, nada mais importa
agora, tanto faz
pois preciso vencer guerras,
para conseguir um pouco de paz.


Escrito em: 11 de Dezembro de 2010

Um dia de Domingo

                     O tempo lá fora está fechado
                     Eu não quero ter compromissos
                     Quero ficar no meu quarto
                     Ouvir um samba antigo
                     Só pra lembrar que ontem estávamos juntos, em um dia de domingo.


Escrito em: 14 de Novembro de 2010

Apenas sorri

                    Apenas sorri e acene
                    Deixa eles pensarem que está tudo bem
                    Guarde suas lágrimas pra mais tarde, ninguém vai entender o teu choro
                    Deixe sua dor só pra você, pois ninguém precisa saber o que se passa contigo
                    Esconda tudo com um sorriso
                    Guarde só pra si o porque chorou, e quem amou
                    Mas agora apenas finja que está tudo bem.


Escrito em: 23 de Outubro de 2010



A vida não é tão simples assim

                    Sua maquiagem borrada misturam-se com as lágrimas salgadas
                    Se esconde atrás de um sorriso, amarelado e indeciso
                    Ela não sabe o que quer, nada contra a maré, fuma um cigarro e toma um café
                    A vida não é tão simples assim, não temos o que discutir, vamos embora daqui
                    A noite já vem e com ela também a paz, o amanhã tanto faz, limpe o choro o que vale a pena é sorrir.


Escrito em: 8 de Outubro de 2010

Infância

                    Eu quero insistir no erro pra ver se faço o certo
                    Eu quero destruir as evidências pra deixar tudo mais correto
                    Eu vou espalhar as cartas da caixa de correio pelas ruas
                    Eu quero tomar um banho de chuva
                    Eu quero errar de propósito só pra falar que não fiz porque eu quis
                    Eu quero desenhar na calçada com um pedaço de giz
                    Quero furar a fila do mercado, pegar balas escondido e não ser punido
                    Eu quero andar no carrinho e ser empurrado, derrubar uma pilha de copo de extrato
                    Eu quero puxar o rabo de um cachorro bravo, quero ser arranhado por um gato
                    Quero receber todo o cuidado, quero ser mimado
                    Eu quero mentir e não ser castigado por isso, quero medir o infinito
                    Quero criar, construir, errar, insistir
                    Quero novamente rir
                    Quero voltar a minha infância, época que verdadeiramente fui feliz.


Escrito em: 19 de Setembro de 2010



A dor

                     Mais uma lágrima escorre nos olhos dela
                     Mais uma promessa que não foi cumprida
                     Mais uma despedida para tentar acabar com a sua vida
                     Ela chora e com razão, não sente mais os seus pés tocarem ao chão
                     Ela não se lembra mais como é sorrir, recusa convites, diz que de casa não quer mais sair
                     Seu cântico foi trocada pelo grito de dor, procura incansavelmente a explicação do amor.
                     As pessoas em sua volta se entristecem ao ver tudo isso
                     Uma pessoa divertida que corre perigo
                     Os sonhos ela não mais planeja
                     Ela não tem mais desejos, vive em desespero
                     Ela já se cansou de tantas palavras ditas e nenhuma atitude
                     Ela não mais se ilude
                     Ela agora é fria e insensível, tudo isso é culpa do seu infiel marido



Escrito em: 10 de Setembro de 2010

Tudo deixa marcas

               Cadê as almofadas rasgadas?
               Quantas coisas quebradas no chão da sala.
               Quantas palavras ditas desnecessárias.
               Cadê a minha mala?
               Vou ir embora, cadê o relógio marcando a minha hora?
               A casa que foi palco de tantas brigas hoje está vazia
              Cadê a sua simpatia?
              Não quero mais estragar a sua vida,
              Não vou permitir que faça o mesmo com a minha.
              Quantas brigas que podíamos evitar
              Quantas pequenas coisas que nos fez afastar. 
              Cadê o nosso amor?
              O vento levou e nem rastro deixou
              Os objetos marcaram a nossa história
              A destruição ficou, mas agora não tem volta.




          Escrito em: 05 de Setembro de 2010

Quem é Ela?

                     Estava sentado em um banco de um bonde lendo aquele livro que a meses jurava em terminar, ao meu lado um banco desocupado, sem ninguém por perto pra sentar. Pouco tempo passa, uma moça senta ao meu lado, não a olho em seu rosto e continuo fixado em meu livro.  De repente sinto suavemente seu braço raspar no meu, meu Deus que pele macia, que pele sensível, e pouco a pouco sua bolsa se derrama sobre a minha coxa.
                  Olho pra ela e ela olha pra mim, meio sem jeito, disfarçamos, ela coloca um óculos escuro, olho em suas mãos e não tem aliança, unhas pintadas bem feitinhas, de vergonha até escondi as minhas.
                 Olho pra ela novamente, mas seus óculos escuros não me deixam ver o seus olhos, penso em qualquer assunto inútil pra puxar assunto, mas nada me vem a mente.
                 O meu ponto chega, peço-lhe licença e saiu do bonde, pela janela ela me olha e sorri, na calçada fico bobo parado ali, olhando pra ela.
                 Ela poderia ser o meu futuro ex-amor, o meu próximo motivo pra uma futura dor, a maior certeza carregada por duvida, ou também poderia ser nada, que loucura.
                 Agora o que mais faço é tentar assimilar seu rosto com algum nome, Quem era a moça do bonde? Qual seu telefone? Qual será o seu Rg? Seu endereço? Seu estado civil? Quem é aquele moça que pela janela do bonde sorriu?


Escrito em: 12 de Agosto de 2010

Pode Acontecer

                    Talvez algum dia possa acontecer de você para de pensar em mim
                    Vai que um dia aconteça da gente só brigar, esquecendo o que é sorrir
                    Pode acontecer também, de nos sentirmos vazios mesmo estando um do lado do outro
                    Vai que um dia nossas conversas não sejam mais sinceras, olho no olho
                    Se um dia tudo isso acontecer, lhe proponho desde então, que segure a minha mão, e lembremos de toda a tempestade que juntos passamos graças a nossa união.

Escrito em: 24 de Julho de 2010

Já Me Cansei.

                     Já me cansei de você, e de suas palavras vazias.
                     Cansei de ser lembrado apenas quando a solidão pra ti sorria.
                     Já me cansei de suas indecisões, de você ir e vim, sempre tão confusa assim.
                     Já me cansei de ficar contra tudo e contra todos ao seu favor, cansei de não ter o meu merecido valor.
                    Cansei de viver a sua vida e sempre deixando de lado a minha. Cansei das suas promessas que nunca cumpria.
                   Cansei de me cansar de você, pra que? Com tantos amores na vida que ainda posso ter, eu simplesmente me cansei de você!


Escrito em: 01 de Julho de 2010

O Último Romance

                   _Que coisa mais melancólica : diz Alfredo após ouvir mais uma vez a crítica de sua mulher Dalva, cobrando-lhe mais atenção, carinho.

Não sabe Alfredo que o amanhã cobrará muito caro dele.
               
                 Mais uma noite fria, fim de semana, Dalva passava sozinha com os filhos, sentindo a ausência do marido, tentando imaginar os possíveis lugares que ele poderia estar. Cansada de chorar sempre pelo mesmo motivo, sem pensar nos filhos e sim no fim do sofrimento, ela se atira da janela do seu apartamento, do 5° andar. Era uma noite de sábado, sem muito movimento, dia 2 de Agosto, o dia do seu aniversário, era mais ou menos umas onze horas da noite.
               Do outro lado da rua, Alfredo se embriagava  no bar, sem perceber a movimentação de ambulâncias, bebia cada vez mais, até que resolveu ir embora para casa, ele se depara com uma multidão de gente ali em frente ao seu condomínio, entra no meio das pessoas, olha para o chão e repara uma poça de sangue e uma gargantilha que deu para sua esposa Dalva quando completaram 10 anos de casados. Ele se desespera e vai ao chão, sua consciência naquele momento lhe acusa de ser o responsável por essa fatalidade, olha para o lado e vê sua filha Izabel de apenas 7 anos e seu filho Alonso de 9 anos, eles totalmente traumatizados pelo o ocorrido, vão em direção do pai e o abraça, o pai com o cheiro insuportável de pinga, coitados tão novos, tão inocentes.

Passado 5 anos, Alfredo não consegue mais controlar a saudade de sua falecida esposa
           
              _Ah quem dera eu ter ouvido Dalva, hoje minha consciência pesa, me culpa
              _Oh Deus tende piedade de mim, me diga qual rumo a tomar, agora entendo Dalva, o que passou, sua ausência é o resultado da minha ausência.
Com lágrimas nos olhos Alfredo olha a Janela de onde sua mulher se atirou, tentando decifrar como será que ocorreu a fatalidade, sua consciência pesa tanto que o chama de assassino. Alfredo caminha em direção ao quarto de Izabel e Alonso.
            _Que crianças fortes, não se deixaram abalar com a perda da mãe.
Quase saindo do quarto, Alonso levanta e pergunta ao Pai.
           _Pai, onde é que o senhor estava quando mamãe morreu?
Alfredo impressionado com a pergunta de seu filho, o manda dormir.
Mais Alonso insiste.
          _Papai, não irei dormir enquanto eu não souber onde o senhor estava no dia em que a mamãe morreu.
Alfredo sem mais jeito e com medo da reação de seu filho, acaba mentindo!
         _Bom meu filho, papai estava trabalhando na hora que...
Interrompe Alonso.
         _Pai não minta para mim, naquele sábado a noite, mamãe chorava ao ponto de soluçar, entre os prantos de suas lágrimas lhe dizia que o senhor não a amava mais, dizia também que o senhor tinha trocado a nossa família pelas noitadas da vida vazia.
Alfredo já cercado pelas indiretas de seu filho, resolveu contar a verdade.
       _Meu filho, naquele sábado eu estava no bar  quando sua mãe me ligou cobrando de mim mais atenção e carinho, eu achei muita frescura da parte dela e a ignorei.
Alonso triste diz ao pai.
       _ Pai o senhor que é o culpado pela morte da mamãe.
Alfredo sai do quarto, sem mais nenhuma palavra, arrasado, desabafa pro vento.
      _Agora não, além de minha consciência, meu próprio filho me acusa. Será eu mesmo o verdadeiro responsável pela morte de Dalva? Sou tão in-sentimental como ela me dizia? Maldito seja eu e o meu coração de pedra. Dalva, Dalva, meu primeiro amor, meu ultimo  romance, sua falta me deixa louco, será esse o meu castigo? Agora você quem esta sendo in-sentimental comigo, me deixando sozinho.
        Alfredo não aguenta mais sofrer pelo mesmo motivo, como sua mulher fez, não pensou nos filhos, egoísta se atirou do 5° andar, mas algo diferente aconteceu, o chão não chegava , caia, caia, caia, mas ainda vivo, e então ele abre os olhos e vê Dalva do seu lado, não tão falecida assim.
Alfredo teve apenas um pesadelo, com medo de que tudo o que sonhou realmente aconteça, se dedica mais a sua família e larga de beber, guarda só com ele o sonho daquele dia!


Escrito em: 1 de Julho de 2010

Silêncio

                     Quantas vezes a vida nos pede um tempo de silêncio?
                     Quantas vezes desobedecemos? E falamos, e falamos, com sangue nos olhos, mesmo não tendo nada a dizer.
                     Para que perder tanto tempo tentando fazer com que alguém nos entenda? As pessoas estão prontas apenas para falar, não pra ouvir.
                    As circunstâncias da vida, os problemas, as dificuldades, sempre nos ensinam um pouco mais.
                    Ficaremos em silêncio agora, para quando formos abrir as nossas bocas, teremos o que falar, e teremos a quem nos ouvir. O silêncio é um bem precioso, e só quem sabe usa-lo ira entender!


Escrito em: 23 de junho, de 2010

Saudade

                  Sinto sua presença em todos os lugares. Tento me levar pelo um simples olhar de outra mulher, mas nenhum é parecido com o seu.
                  A saudade insiste em me incomodar. Madrugada maldita, hora que a solidão vem me visitar.
                 Não sei ao certo se ainda vale a pena se preocupar com tão pouco, tão pouco dizem os outros.
                 Não sei se teu sorriso ainda é verdadeiro quando me ver, sinto sua falta, será que o mesmo vazio na alma incomoda você?
                 Esse romance tão misterioso, que se contenta com tão pouco. Não quero lhe ter vencida pelo cansaço, te quero com a mesma respiração ofegante do primeiro abraço, inocente, foi a semente do meu fracasso!

Escrito em, 22, de Junho, de 2010