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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Paredão Azul

                     Meu bem, certas coisas não tem explicações e nem sentido, elas simplesmente acontecem. Assim digo de que nada adiantou tentarmos planejar uma fuga de nós mesmo em um papel tão vulnerável quanto éramos naquela situação. Não fomos os perfeitos cúmplices e nem fizemos um crime perfeito, daqueles que não deixam vestígios e nem rastros...
                    Fugimos do plano, perdemos o controle da situação de uma tal forma, que olhamos pra esse imenso paredão azul, com alguns riscos brancos chamado de céu, e achamos que sim, temos nossas limitações, que essa tal liberdade não funciona tão bem quanto pensávamos, e nos sentimos escravos de nossas próprias vontades, mesmo sabendo que podemos atravessá-lo com o peito aberto.
                   O nosso plano era tão perfeito, nada de sentimento, nada de dor, nada de sofrimento, nada de saudades, nada de nós um pro outro... Mas erramos, quebramos a jura, e quem disse que foi tão ruim assim? Mas há sempre um preço a se pagar, que às vezes é alto demasiado. E no nosso caso ficou a saudade, as lembranças, o arrependimento de sempre achar que o tempo estava ao nosso favor.
                   Você rasgou o paredão azul com suas próprias escolhas e pegou aquele avião, cortou o céu, cortou a sua liberdade, se limitou a um homem que não entende o seu olhar pedindo o mínimo, atenção, carinho. Esse foi o nosso pecado, nos envolver, mesmo sabendo que era quase impossível ficarmos juntos, esse foi o nosso crime.
                    Até parece coisa de novela, antes fosse, pelo menos saberíamos que no final iríamos acabar juntos. Apesar de tudo, ainda ando te escrevendo nos meus contos, e ainda espero te ver quebrando o paredão azul, e nunca mais sair do lugar da onde você nunca deveria ter saído.


Escrito em: 18 de Agosto de 2013

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