[...] Eu criei seis filhos com muitas dificuldades, minha esposa morreu logo após ter ganho o ultimo filho, mesmo assim não deixei o medo me intimidar, saia de madrugada para trabalhar, enfrentava o frio e os espinhos da mata, fui humilhado por barões ''meus patrões'' , eu fazia de tudo naquela fazenda, era vigia durante a noite, de dia dava comida aos porcos, cuidava do gado, cuidava do jardim e até lavava os pratos, muitas vezes pensei em pedir conta, mas lembrava dos meus filhos que precisavam desse meu esforço até mais do que eu, eles me davam força.
E quando o final de semana chegava, todos os meus seis filhos se animavam, pegavam pra mim a viola pra tocar pra eles uma ''moda de viola'' e ao som do passarinho eles iam dormir, imaginando uma boa coisa que ainda esta por vim. E com dificuldades eu os criei, dei carinho, dei amor e os alimentei, sonhava alto para eles, sonhava com a faculdade, pois eu não queria que eles vivessem com dificuldades, não os deixei trabalhar para não ter desculpas de não estudar.
E foram crescendo e sonhando junto comigo, eu dizia para todos as maravilhas de filhos que eu tinha, e agradecia a Deus todos os dias de'' manhãzinha'', eu os respeitava, não arranjei outra mulher porque eles não queriam madrasta, mas nada era mais valioso do que os sorrisos dos meus filhos.
E agora com o rosto cansado, mãos calejadas de tanto trabalho pesado, estou em um asilo, jogado e abandonado pelos meus queridos filhos, e como diz um ditado que ouvi a muito tempo atrás, diz que ''um pai trata de dez filhos e dez filhos não trata de um pai.''
Escrito em: 15 de Fevereiro de 2011
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